Acerca disto…

Este é um projecto acerca da Adega Cooperativa de Arruda. Será uma abordagem pessoal através da linguagem do desenho e da fotografia; o primeiro intermediado pelo pensamento e pelo gesto, a segunda conduzida pelo olhar e fixada pela limitação técnica do meio.

Será possível, apenas pelo que é apresentado pela estrutura e na estrutura, descortinar as mesmas ramificações e implicações que a memória colectiva projecta na Adega de Arruda? Em que direcções se processa esse movimento? Que modificação na minha percepção pessoal é que o contacto com o estado actual da estrutura irá induzir? A imagem formada a partir de um contacto superficial e distante não tem correspondência com o que se apresenta no modo evidente.
A representação que construímos em imaginário, a partir de narrativas episódicas, contactos esporádicos e sedimentações de memórias por si mesmas fragmentadas, é de difícil tradução numa linguagem pictórica. Porém, se uma reação pictórica ao que é apresentado se traduz num conflito entre o imaginado e o que é apresentado, entre o desejo de tradução (movimento a partir de dentro) e a expressão do conflito (movimento induzido a partir do exterior), então o resultado fará prova de vida.